[ONLINE] Universidade de Aveiro, Portugal

21, 22 e 23 de outubro de 2020

O nome que o corpo dá

Amanda Carneiro Figueredo
Rodolfo Pereira

Esta performance é pensada como um documento audiovisual que manifeste possíveis caminhos de escuta e de olhar para uma indagação essencial: Qual a história do seu nome? Uma pergunta de resposta profunda para qualquer ser humano, mas de especial complexidade para aquelas e aqueles que se vêem constantemente na luta pela legitimação de sua existência por meio da validação legal de seus nomes sociais, a comunidade transgênere brasileira. No entanto, seus nomes, antes que sejam reconhecidos oficialmente em novas certidões, são construídos na medida da produção das subjetividades e dos processos de subjetivação entre seus corpos, seus desejos, seus sonhos, suas geografias, suas memórias e o mundo. Que histórias os compõe? Além das trajetórias de conquistas individuais e coletivas que o nome de uma travesti e de um homem trans carrega, ele também se confronta com uma sociedade que ainda não aprendeu a lê-lo e acolhê-lo, mas a rechaçá-lo dentro de um sistema binário e heteronormativo que limita quem nasce a apenas dois destinos, sendo eles: pênis > homem > desejo por mulheres ou vagina > mulher > desejo por homens. No cerne das sobreposições arbitrárias entre os seres biológicos que somos e os seres culturais que também o somos está o nome social das pessoas trans disputando espaços e rompendo expectativas cisgêneras por não conformar seu corpo fronteiriço à gramática no feminino (travestis) ou masculino (homens trans). Afinal, qual o nome que vemos no corpo e qual o corpo que vemos no nome? Afinal, somos capazes de escutar a narrativa dos corpos transgêneres sem estranhamento? 

A performance é centrada ao redor de relatos colhidos com pessoas trans em entrevistas sobre o significado, importância e origem de seus nomes. Essas entrevistas terão influência do método biográfico, objetivando a criação de uma relação fluida entre entrevistadora e entrevistadas, um espaço criativo, onde perguntas abertas levam a entrevistada a guiar o teor de sua narrativa. Em formato de instalação, a performance acontece em uma sala escura, onde em uma das paredes é projetado um vídeo com mãos, pés, olhos, braços, fragmentos de rostos que se sobrepõem e se somam a ruídos do corpo. Em um totem, na frente do vídeo, fones de ouvido e uma tela com uma lista de nomes disponíveis. Ao clicar em um dos nomes, a voz da pessoa selecionada começa a tocar. Enquanto ouve as narrativas de cada nome, as imagens projetadas dão corpo e face a estes relatos. Além da instalação física, o conteúdo também ficará disponível em uma plataforma online, unificando a lista de nomes com o vídeo, possibilitando a experiência para aqueles que não puderem participar presencialmente do evento.

Palavras-chave: Nome social; Narrativas; Comunidade trans brasileira; Instalação; Panorama sonoro