[ONLINE] Universidade de Aveiro, Portugal

21, 22 e 23 de outubro de 2020

Performances possíveis na economia capitalista e ultraliberal

Alcina Fernandes
Maria Manuel Baptista

A economia influencia de modo determinante as relações sociais e humanas. No mundo globalizado em que vivemos, o capitalismo na sua forma ultra ou híper liberal preside à realidade social – tudo é determinado pelos mercados e em função deles. No capitalismo a riqueza é apropriada apenas por alguns e o objetivo do lucro é uma constante. 

Nas diversas comunidades que compõem a sociedade planetária o papel desempenhado pela mulher, tantas vezes essencial no progresso e feitos da Humanidade, é secundarizado, invisível e ignorado, empurrando a mulher para as periferias do poder. A discriminação e a pobreza da mulher são, por isso, uma constante que vai permitir o lucro pretendido no capitalismo. 

A generalidade da população mundial anseia viver em democracia. Esta, muito embora seja um modo de organização societária imperfeita é, mesmo assim, a forma que permite uma relação mais harmoniosa entre os membros que compõem as diversas comunidades do todo que é a Humanidade. Há vários tipos de democracia. Porém, nessa diversidade há uma linha comum que os une – cada ser humano, na sua individualidade contribui, direta ou indiretamente, na prossecução dos interesses comuns e gerais da sua comunidade e que confluem na realização dos interesses da própria humanidade, não são só objetiváveis, como de natureza espiritual ou visionária. 

A presidir a uma democracia existem valores e princípios, por todos aceites e que inclusive foram reduzidos a escrito, como sejam diplomas de cariz jurídico (ex: carta dos Direitos Humanos) e conclusões de Conferências temáticas internacionais (ex: Conferências Mundiais sobre as Mulheres, em que se ressalta a IV Conferência Mundial sobre as Mulheres – Pequim 1995). 

Da intersecção dos três aspetos supramencionados surgem diversas questões a merecerem resposta. Não sendo possível um estudo exaustivo, até por, eventualmente, gerador de confusão, limitamo-nos a procurar obter uma resposta, dentro das possíveis, às seguintes: 

– Será que da ação capitalista e ultraliberal da economia resulta ou aprofunda-se a discriminação, a pobreza das mulheres e sua subalternização e, como tal se coloca pondo-se, assim, em risco e ameaçada a própria democracia? 

– Que performances (de resistência ou outras) poderão ser assumidas pela mulher? 

No presente trabalho, de modo não exaustivo, abordaremos os temas de poder, de dominação e formas de luta contra-hegemónica e resistência, numa intersecção de sexo e classe, pondo em evidência o contraste entre os discursos político-legislativos com as práticas que a realidade expõe e revela. 

Seguiremos na investigação e sua correspondente apresentação, o olhar dos Estudos Culturais, numa abordagem qualitativa materializada na pesquisa documental e sua respetiva análise hermenêutica. Por apoio socorrer-nos-emos de autores e filósofos do campo dos Estudos Culturais, em particular nos que se dedicam aos estudos de género.

Palavras-chave: Democracia; Estudos Culturais; Liberalismo; Hegemonia.