[ONLINE] Universidade de Aveiro, Portugal

21, 22 e 23 de outubro de 2020

Histórias de Quando o Mundo Acabou

Rodolfo Pereira

Essa proposta de performance, em formato de videoarte, busca explorar a virtualização do sexo em contexto de distanciamento social causado pela pandemia do COVID-19. É muito fácil render-se ao exagero superlativo ao buscar palavras para classificar o que nos é importante: quando falamos de algo que atingiu o “mundo todo” geralmente estamos falando do nosso mundo, do que nos é conhecido, próximo. Mesmo as guerras mundiais podem ser pensadas como mais européias que mundiais. Com essa perspectiva, talvez o distanciamento social que passamos agora seja o acontecimento que mais merece a alcunha de evento de escala global. A doença, espalhada pelo globo, afeta a quase todos, de formas muito diferentes. Nossa socialização já passava por processos de mediatização e virtualização e estes têm sido impulsionados. A necessidade de contato humano nos move em direção a esses softwares e redes sociais, fazendo até os mais avessos à essas tecnologias embarcarem. Mas como fica o desejo e a necessidade de sexo neste contexto? Através de uma ação conjunta com pessoas convidadas residentes em diversos locais do mundo, buscaremos construir um panorama sonoro virtual do isolamento. 

Elas serão convidadas a gravar os ruídos de diversos momentos de suas rotinas. Temos o som de Amanda e sua mãe regando suas plantas no interior da Amazônia, que se costura com a aula de dança através de videochamada de Jamila nos EUA, levando-nos a Haru e os sons que grava enquanto passeia com seu gato em uma região interiorana do Japão, conectando-nos com o jantar de Edivaldo com seu namorado Trystan na França. Dessa forma, em uma camada do áudio, teremos a construção de um retrato sonoro da forma como a pandemia afeta essas pessoas. Uma colcha de retalhos ruidosa, criando um espaço virtual onde todos estes se conectam. 

Essa primeira camada do áudio serve de ambientação para as entrevistas realizadas com os mesmos e outros personagens sobre a forma como lidam com suas sexualidades durante o período de quarentena. 

No vídeo, imagens de corpos se sobrepõem, gravadas através de softwares de conversação em vídeo ao vivo; além delas, imagens características de sites de produção de conteúdo pornô amador formam um mosaico do sexo virtualizado, realizado através de ecrãs, conectados por cabos de fibra óptica.

Palavras-chave: Panorama Sonoro; Desejo; Pandemia; Sexo Virtual; Queer