[ONLINE] Universidade de Aveiro, Portugal

21, 22 e 23 de outubro de 2020

Jornalismo feminista em oposição às ditaduras em Espanha e Portugal: Carmen Sarmiento y Maria Antónia Palla

Carla Cerqueira
Dunia Etura

Atualmente, o feminismo, enquanto movimento plural, assume grande visibilidade no espaço público. Movimentos como a SlutWalk, #MeToo, Time´s up ou 8M foram determinantes para situar o feminismo na agenda mediática internacional nos últimos tempos. No entanto, o início da inclusão do feminismo nos meios de comunicação informativos espanhóis e portugueses encontra-se nos últimos anos das ditaduras de ambos os países, quando algumas jornalistas relevantes como Carmen Sarmiento e Maria Antónia Palla começaram a incluir um enfoque feminista nos conteúdos produzidos com o objetivo de trazer para o espaço público outras vozes, nomeadamente de mulheres, e temáticas que levantassem as questões das desigualdades de género vivenciadas. 

A partir do início dos anos 70 do século passado a terceira vaga feminista inundou as sociedades dos países ocidentais (Varela, 2013). Em Espanha e Portugal, devido à idiossincrasia política, com as ditaduras vigentes, a visibilidade dos movimentos feministas teve que esperar até à celebração do Ano Internacional das Mulheres, designado pela ONU em 1975. Até lá, foram poucas as iniciativas que conseguiram realizar-se, criando-se um estigma relativamente aos feminismos e às feministas. No entanto, algumas mulheres jornalistas, que também abriram caminho na profissão, envolveram-se na construção de um novo modo de relato, de contra-argumentação face ao modelo dominante existente, em que as mulheres e determinados temas (sobretudo relacionados com as desigualdades sociais) continuavam ausentes.

É neste sentido que apresentamos esta comunicação, que parte do estudo da situação das mulheres jornalistas em Espanha e Portugal. Centramo-nos na análise concreta de duas figuras paradigmáticas da história do jornalismo e do feminismo nestes países: Carmen Sarmiento e Maria Antónia Palla, com o objetivo de perceber até que ponto foram relevantes para a introdução das reivindicações feministas na agenda setting dos meios de comunicação informativos espanhóis e portugueses.

Nesse sentido, os objetivos centrais desta proposta passam por conhecer, através do trabalho jornalístico de Carmen Sarmiento e Maria Antónia Palla, como se mudou para um novo modelo de mulher que rompia com o modelo homogeneizador e submisso que as ditaduras tinham estabelecido. Paralelamente, pretende-se perceber se os conteúdos desenvolvidos por elas visavam fomentar um conhecimento do feminismo e das suas propostas teóricas, bem como das temáticas levantadas pelos movimentos nos dois contextos. Portanto, além do agendamento das questões trazidas pelas jornalistas, importa perceber os enquadramentos utilizados e como eram vistos socialmente.

Para tal, além de analisar a produção jornalística das profissionais, realizamos uma entrevista em profundidade a Carmen Sarmiento e analisamos diversas entrevistas dadas em diferentes momentos por Maria Antónia Palla, as quais nos permitiram conhecer os métodos de trabalho informativo numa sociedade mediatizada e enformada pela censura ditatorial.

Palavras-chave: feminismo; jornalismo; agenda setting; ditadura; mulheres jornalistas