[ONLINE] Universidade de Aveiro, Portugal

21, 22 e 23 de outubro de 2020

Fluidez Sexual e Masculinidades: Intersecções, Discursos e Práticas

Rita Grave
António Manuel Marques
Conceição Nogueira

A sexualidade é uma complexa faceta da experiência humana, influenciada por diversos fatores e expressa em múltiplas formas. A fluidez sexual, definida como a capacidade de mudança das atrações sexuais, dependendo de mudanças nas condições situacionais, ambientais ou relacionais, ilustra a complexidade da sexualidade humana e apresenta a variabilidade das categorias sexuais. A fluidez sexual foi introduzida na literatura científica por Lisa Diamond num estudo envolvendo exclusivamente mulheres que, a par de outras investigações contemporâneas, contemplam este conceito com aparente maior potencialidade para experiências exclusivamente femininas. A teoria da fluidez sexual emerge num universo de normas de género que vão criando expectativas sociais sobre as manifestações mais apropriadas para os sujeitos genderizados pelas instituições e pelas práticas sociais, em diversos domínios incluindo o sexual, sendo a categoria expectável para o universo das masculinidades hegemónica, “dominante” e pode balizar a diversidade sexual masculina. Raewyn Connell apresenta a masculinidade hegemónica como uma forma constante de vigilância e controlo da conduta masculina, uma sistemática verificação e validação de masculinidades em função da heteronormatividade, da competição, da agressividade, da emocionalidade restrita e do evitamento de tudo o que é considerado feminino, logo passível de limitar a diversidade sexual masculina. Tendo em conta o contexto no qual emerge a teoria da fluidez sexual e a forma como vai sendo discutida cientificamente, a par da escassez de literatura sobre a fluidez sexual masculina, resultado de um viés de género que acompanha os desenvolvimentos em torno do tema, este trabalho tem como principal objetivo compreender a dinâmica da fluidez sexual masculina, acedendo a narrativas de homens sobre práticas e vivências sexuais fluídas e, por conseguinte, compreender a dinâmica da fluidez sexual em relação com a masculinidade hegemónica. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas ao longo do ano de 2019, com duração média de 2 horas, a 16 participantes com idades compreendidas entre os 21 e 53 anos que afirmaram ter experiências de fluidez sexual. Acedemos a um conjunto de narrativas sobre práticas sexuais masculinas com ensaios fluidos, num implícito cruzamento com as masculinidades. Está a ser realizada a análise temática dos dados das entrevistas, pelo que dos resultados esperados destacam-se os seguintes clusters temáticos: As experiências fazem a sexualidadeDo coming out ao coming inO limbo das sexualidadesQuantidade é qualidade?; e finalmente As desidentificações categoricamente sexuais. Este trabalho reitera a diversidade da sexualidade, um conceito e um fenómeno intrincado e imbuído de construção social, e reforça a multiplicidade da sexualidade definitivamente não rigidamente determinada, contudo potencialmente vigiada e controlada pelas instituições de género.

Palavras-chave: fluidez sexual, sexualidades, géneros, masculinidade hegemónica.