[ONLINE] Universidade de Aveiro, Portugal

21, 22 e 23 de outubro de 2020

Análise das concepções de gênero nos cursos de Licenciatura em Física no município de Campos dos Goytacazes

Giancarlo Gevu dos Santos
Maria Priscila Pessanha de Castro
Elis de Araújo Miranda

Este trabalho consiste em uma análise das representações e dos significados associados ao conceito de gênero que prevalecem nos futuros professores de Física. No cenário pós-estruturalista, o conceito de gênero é pluralizado e toda essa dinâmica social exerce influência entre os profissionais de educação que atuam em escolas de níveis fundamental e médio. O debate sobre gênero na escola, legitimado por documentos como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), se torna uma demanda transdisciplinar. A pesquisa foi realizada nos cursos de Licenciatura em Ciências da Natureza com habilitação em Física (Instituto Federal Fluminense – IFF/Campos) e Licenciatura em Física (Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro – UENF). Ambos os cursos são oferecidos por instituições públicas de ensino, localizadas na área urbana do município de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro/Brasil. O município de Campos destaca-se por apresentar a maior população do interior do estado e pela presença de três universidades públicas. Além disso, apresenta um perfil social predominantemente conservador, de base cristã (católica e evangélica) e baixo índice educacional, com menos de 50% da população com o segundo grau completo (dados do Instituto Anísio Teixeira, 2018). A coleta de dados foi realizada por meio de questionários, aplicados em concordância com as coordenações de curso e dos entrevistados. Os resultados sugerem uma diferença entre os cursos do IFF e da UENF. No primeiro, há maior resistência à abordagem da temática, o que indica um perfil mais conservador que o da UENF. No contexto em que a omissão das instituições de ensino em relação aos temas gênero e minorias é interpretada como cumplicidade e forma oculta de preconceito, os resultados para ambos os cursos analisados corroboram com a perspectiva de que as Licenciaturas precisam inserir de forma institucionalizada essas discussões em suas matrizes curriculares. Além disso, grande parte dos entrevistados não conhecia o significado da sigla LGBTQI+. Os que conheciam, limitavam o entendimento às letras L e G (referência às lésbicas e aos gays), ignorando o reconhecimento da bissexualidade e das demais identidades de gênero, representadas pelas letras BTQI+. 

Palavras-chave: Gênero; Licenciatura; Física; Docência.