[ONLINE] Universidade de Aveiro, Portugal

21, 22 e 23 de outubro de 2020

Prática de Exercícios Físicos e Empoderamento de Mulheres Idosas: Uma Revisão Sistemática

Erica Vila Real Montefusco
Francisco Welligton de Sousa Barbosa Junior
José Clerton de Oliveira Martins

Sabemos que envelhecer é um processo que engloba diversos âmbitos, como o biológico, o psicológico, o social e o cultural. Âmbitos estes que fazem parte do que se compreende enquanto envelhecimento ativo e bem-sucedido. Sabemos também que em nossas culturas ocidentais, os processos de envelhecimento vividos por mulheres são bastante diferentes se comparados aos dos homens, visto os discursos hegemônicos que historicamente perpassam a construção sobre ser mulher, o que inclui desde saberes, comportamentos a apreensões sobre si. Desse modo, levando em consideração este aspecto de gênero e que a prática de exercícios físicos apresenta fundamental importância para o empoderamento do sujeito no envelhecimento, contribuindo para a construção de um envelhecimento ativo e bem-sucedido, o presente estudo, de caráter teórico-exploratório, buscou identificar a produção acadêmica acerca do empoderamento de mulheres idosas a partir da prática de exercícios físicos na contemporaneidade. Com esse fim, foi realizada uma revisão sistemática de literatura sobre a temática nas bases de dados ScieloLILACS e PePsic, em que foram utilizados os descritores “envelhecimento and contemporaneidade”, “velhice and contemporaneidade”, “envelhecimento and mulher”, “envelhecimento and exercício físico”, “velhice and exercício físico”, e “exercício físico and idosas”. Tais buscas apresentaram como critérios de inclusão artigos publicados entre os anos 2007 e 2018, nos idiomas português e inglês. E aqueles que não atenderam aos critérios apontados foram excluídos. Como resultado, foram selecionados 33 artigos, a partir dos quais se pode notar que, embora exista um aumento da população de idosos no Brasil e no mundo, envelhecer ainda é um processo permeado por estigmas. O envelhecimento feminino, peculiarmente, mostra-se atrelado à inatratividade física, à perda da capacidade reprodutiva e à insatisfação com o próprio corpo, numa realidade dolorosa para a mulher que envelhece. Foi também observado que o aumento da idade pode contribuir para a diminuição das capacidades funcionais do indivíduo. Por outro lado, em idosas praticantes de exercícios físicos manteve-se alta a capacidade funcional e a percepção de bem-estar. Nesse contexto, a prática de exercícios físicos mostrou-se como abertura a novas possibilidades e ressignificações, com aumento da plasticidade social e como meio de compensação e otimização de oportunidades, contribuindo também para o crescimento pessoal e despertando novas formas de enfrentamento de adversidades – sejam aquelas provenientes das limitações físicas ou dos estigmas sobre o envelhecimento. Além dos benefícios apontados, a prática de exercícios físicos contribuiu para uma melhor percepção de si, com incremento da autoestima e da saúde – frente a estigmas que associam a velhice a palavras como decrepitude e doença. A prática regular de exercícios físicos, além de prevenir doenças desencadeadas pelo sedentarismo e de propiciar valiosos recursos sociais, configura-se como forma de bem-estar e empoderamento para a mulher idosa. Neste escopo, estas velhices não necessariamente precisam de um corpo considerado belo e jovem, segundo o imposto a partir dos discursos hegemônicos; mas sim um corpo que se constrói para ser, um corpo liberado por si e para si próprio. Isso nos leva à afirmação de que, a partir da experiência de tais práticas, estas mulheres idosas se fazem agentes da própria vida, construindo seu ser-mulher e suas velhices, e questionando assim a rigidez imposta pelos discursos hegemônicos sobre ser mulher idosa.

Palavras-chave: Envelhecimento; exercício físico; mulher, idosa.