[ONLINE] Universidade de Aveiro, Portugal

21, 22 e 23 de outubro de 2020

Saberes e Sentidos do ‘Sido, Sendo e Vir a Ser’: Centro de Cultura e Acolhimento LGBT+ de Petrópolis, Rio de Janeiro/Brasil

Rosely Cubo  
Vera Chamas Basso 
Paulo Antônio Pereira Igreja

O espaço (Hall, 1977; Bachelard, 1998; Soczka, 2005) e porosidade urbana (Jeudy, 2002) na gestão de políticas públicas em territórios de vida da população configura-se temática central principalmente quando demarcado pelas experiências de aproximações intersubjetivas de indivíduos consigo, com os demais e com os universos ecológico-naturais. A constituição do processo histórico brasileiro (Da Matta, 1991) opera desconexão entre o lugar que as pessoas ocupam e seus direitos, instalando a exclusão, desigualdade e inequidades sociais (Rizzotti, Cordeiro e Pastor, 2017). Na esfera local, a territorialidade cidadã não se reduz ao espaço geográfico, remete à complexidade da dinâmica psicossocial e cultural das relações que se estabelecem novos sentidos de viver em diferentes espaços; considerar os territórios vividos favorece criar possibilidades de desenvolvimento, sustentabilidade, resistência e resiliência em vista as mudanças necessárias para contenção dos efeitos da globalização e suas formas de dominação (Trindade de Almeida, Figueiredo e Trindade Jr., 2012). Na perspectiva transdisciplinar (Baêta, 1998), desenvolvemos duas análises tanto dos manifestos saberes e sentidos do corpo (Basso e Pustilnik, 2000) vistos pelo prisma das dimensões identitárias de impregnações/fragmentações intrinsecamente ideológicas que circundam as pessoas do movimento LGBT+ (García e Inácio, 2019) quanto do potencial criativo-espontâneo (Moreno, 1977) ao qual se insere o projeto arquitetônico do Centro de Cultura e Acolhimento LGBT+ de Petrópolis, Rio de Janeiro (Baptista e Igreja, 2019). Destacamos que são correlacionados os seguintes objetos de investigação: o contexto do empoderamento de Presença-Pertença e inclusão examinados pela óptica do ócio humanista (Cuenca, 2000; Cuenca Cabeza, 2018) e na esteira das derivações do ócio estético (Arroyabe, 2010) e performance seguidos em mixologias (Villaça, 2010) e tactilidade (Frampton, 1996) no que se refere à arquitetura (Ando, 2010) e o lócus da cultura contemporânea de natureza antropológica (Laraia, 2007), tensional e dilemática ‘cultura erudita-popular’ (Baptista, 2014). Os resultados desta investigação voltam sua atenção, primeiro aos movimentos de desenvolvimento potencial, que analisados à luz da psicologia transpessoal onde a trajetória é vivencial-cognitiva, possibilitam ultrapassar as barreiras de visão unidimensional às intersexualidades (Capra e Pier, 2014); segundo, que suprimidas as expressões do ego surge o Ser Essencial/Self em que o corpo que traz subjacente as memórias das experiências vividas positivas ou não, surgem o caminho de desvelamento da pulsão de vida em termos de pensar-sentir-agir (Azevedo, 2020); terceiro, que ultrapassados os limites daquilo que acreditam e compreendem da dinâmica físico-emocional-mental-espiritual advém a dor das impregnações, separações e fragmentação a que estão sendo repetidores estereotipados e discriminados (Braden, 2008). As palavras de Bruckner (2009) podem ser usadas para concluir esta exposição de argumentos da investigação em curso no centro (…) [da profunda transformação da vida social contemporânea, de seus valores e significados,] não está um novo tipo de sociedade, mas um novo tipo de indivíduo, que não cultiva nem a nostalgia de um passado dourado, nem a esperança por um futuro redentor, mas que, possuindo uma ‘inflexibilidade treinada para enxergar as realidades da vida’, está apto para responder ‘às demandas do dia’. Sem dúvida, o momento em curso é crucial; entretanto, o que talvez deva ser acentuado é que, diferentemente do que antes era anunciado como condição generalizável, após COVID19 o processo de individualização/individuação das pessoas LGBT+ estará mais acessível aos atributos de significado e dignidade de suas vidas, pois a ambiência psicossocial e cultural é uma caixa de ressonância em cujo interior os indivíduos leem e interpretam o espaço em função de sua relação consigo, com o outro, com os grupos, com as instituições e com a sociedade em que vivem.

Palavras-chave: cultura; cidadania; gênero; sexualidade; ócio.