[ONLINE] Universidade de Aveiro, Portugal

21, 22 e 23 de outubro de 2020

É tudo chacota? Uma análise sobre a representação do homem negro nas figurinhas de WhatsApp no Brasil

Gabriela Pereira

Em novembro de 2019, o Ministério Público do Distrito Federal, órgão instalado em Brasília, capital do Brasil, demonstrou preocupação com a ampla disseminação de figurinhas racistas, os chamados e-stickers, em grupos de WhatsApp. Denúncias enviadas via servidores para o Número de Enfrentamento à Discriminação tinham como principal observação o teor discriminatório das imagens. 

Na denúncia enviada ao órgão que tem como missão defender os interesses da sociedade e da democracia, aparecem uma série de figurinhas que ridicularizam homens negros, colocando-os em posição inferior ou em situações vexatórias. À época, a promotora Mariana Silva Nunes reforçou que as pessoas que repassam figurinhas que expressam preconceito e racismo podem responder a crimes de injúria racial ou racismo. 

As figurinhas, amplamente utilizadas nos grupos de conversa do WhatsApp no Brasil, têm como um dos intuitos colocar em imagens mensagens com os mais variados tons. Há quem opte por borboletas e arco-íris para dar “bom dia”, memes sobre assuntos que estão em alta nos noticiários apresentados em formato de figurinha, brincadeiras, exposição de sentimentos, entre as mais diversas apresentações que se pode imaginar. 

Esta pesquisa busca analisar a representação do homem negro nas figurinhas de WhatsApp no Brasil, a partir da denúncia feita ao Ministério Público do Distrito Federal e observando ainda dezenas de figurinhas que têm homens negros como protagonista para entender de qual forma esses indivíduos são apresentados nesse espaço virtual. 

A comunicação busca ainda refletir de que maneira o WhatsApp tem sido utilizado para reforçar estereótipos racistas, bem como o desenvolvimento do imaginário de uma masculinidade negra forjada em torno de temas como sexualidade e criminalidade.

Palavras-chave: figurinhas; whatsapp; negro; racismo; e-stickers.